Antes de falar sobre o GEIV, eu acho importante sabermos um pouco da história da Inspeção de Vôo no Brasil.
Neste ano de 2007, a Inspeção em Vôo completa 51 anos.
Na época, a Diretoria de Rotas Aéreas e a Federal Aviation Administration (FAA), que antigamente era conhecida por C.A.A. (Civil Aviation Agency), fez o empréstimo da primeira aeronave-laboratório, um “beechcraft” de matrícula N-74, que prestaria serviços ao Brasil, com a finalidade específica de realizar as inspeções em vôo dos primeiros auxílios à navegação e à aproximação, VOR (VHF OmniRange) e ILS (Instrument Landing System), a serem instalados no Brasil.
A primeira inspeção em vôo no Brasil ocorreu em 19 de dezembro de 1956, quando houve a avaliação do primeiro rádio auxílio a ser homologado, que foi o VOR de Caxias.
Dois anos mais tarde, em 1958, a FAB, percebeu a importância da inspeção dos auxílios, porém, não tinha pilotos qualificados para estas missões.
Então, enviou dois oficiais para realizarem o Curso de Piloto-Inspetor na academia da C.A.A., em Oklahoma, e esta passou a ser a primeira tripulação operacional de inspeção em vôo no Brasil.
Agora com tripulação treinada, a FAB comprou o primeiro avião-laboratório, que passou a realizar esta tarefa.
No ano seguinte,
1959, com a finalidade de formar uma tripulação completa, houve a instalação e instrução de Operação de Console de Inspeção em Vôo, que foi supervisionada com a vinda para o Brasil de mais um técnico da C.A.A., que também tinha como tarefa, assessorar nosso técnicos em eletrônica na montagem de um laboratório de aferição e calibragem.
O número de Inspeções em Vôo aumentaram gradativamente e cada vez mais se fazia necessário um setor que planejasse e interpretasse a análise dos resultados obtidos durante as missões executadas.
No ano de 1960, foi criada a Seção de Registro e Controle de Vôo.
Ainda nos anos 60, devido à implantação de novos auxílios, o volume das missões crescia em progressão geométrica, exigindo uma quantidade maior de pessoal especializado e um melhor planejamento das missões, de modo a racionalizar o emprego dos meios aéreos disponíveis.
No dia 1º de abril de 1971, o Ministério da Aeronáutica sofreu uma grande reestruturação. Atividades afins foram agrupadas.
Em maio de 1972, foram reestruturadas as atividades de Proteção ao Vôo, ao ser criada a Diretoria de Eletrônica e Proteção ao Vôo - DEPV, cujo regulamento foi aprovado pelo Decreto nº 71261, de 17 de outubro de 1972. Neste regulamento surgiu a atividade de Inspeção em Vôo, juntamente com a criação do Grupo Especial de Inspeção em Vôo (GEIV).
Sendo assim, o GEIV "nasceu" em 1972. |
O GEIV completa hoje (17 de abril de 2007) 35 anos.
Para quem pensa que o GEIV é apenas aquele avião vermelho e branco (geralmente um bandeirante EC95B, porém também é utilizada a aeronave Hawker 800 XP e HS125) que vive circulando pelos aeroportos, fazendo e refazendo os procedimentos e muitas vezes até "atrapalhando" ou "congestionando"
por algums minutos o tráfego aéreo daquele aeroporto, (apesar de que raramente isto acontece, pois quando há algum pouso ou decolagem, a aeronave laboratório é instruída para permanecer em espera, o que ela faz imediatamente) estas pessoas não sabem que a tripulação formada pelos pilotos-inspetores e operadores de sistemas de bordo, não trabalham sozinhos dentro do seu avião. Dentro do GEIV, existe um verdadeiro laborarório eletrônico voltado à aeronáutica. Não é a toa que ele é também chamado de aeronave laboratório.
No solo eles têm o apoio de operadores de teodolito, mecânicos e outros especialistas das mais diversas áreas.
(Fotos de Jonas em Curitiba e SP).

Como tudo na vida evolui, a navegação aérea não poderia ficar para trás.
O bandeirante "velho de guerra - pau pra toda obra " é equipado com tecnologia analógica de inspeção, o que não permite sua utilização para realização de inspeção em vôo dos novos procedimentos baseados em sinais do Global Navigation Sattellite System (GNSS).
Já as aeronaves Hawker possuem os equipamentos de inspeção totalmente digitais.
Além disso, ainda tem um alcance/performance maior de que o do bandeirante.

Mas quais são as funções do GEIV?
- Inspeção de rádio auxílios (VOR, DME, NDB)
- Homologação de novos rádio auxílios (VOR, DME, NDB)
- Inspeção de ILS (ALS, localizador, glide slope, marcadores, DME)
- Inspeção de PAPI, VASIS e demais dispositivos de rampa de planeio luminosas
- Inspeção de procedimentos de pouso, chegada e saída (IAC, STAR e SID)
- Inspeção de aerovias (fixos, níveis)
- Inspeção/aferição dos radares de tráfego aéreo
- Radiomonitoragem capaz de identificar e localizar fontes de interferência na faixa de rádio aeronáutica. (tanto em fonia como ILS, glide, VOR) (como exemplo rádios piratas)
Então com os dados coletados e processados, é possível fazer a correção de coordenadas geográficas, proas, e distâncias nas mais diversas cartas aeronáuticas publicadas, e também o ajuste/calibragem dos equipamentos de tráfego aéreo.
Como é feito as inspeções?
Cada equipamento/auxílio tem uma pré-determinada períodicidade entre suas inspeções.
Existem alguns padrões de passagens.
Veja nesta página.
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O Brasil é muito poderoso.
Pena que poucos enxergam e dão o devido valor.
O GEIV por exemplo, pela sua competência e confiabilidade, é considerado um "produto de exportação", pois é requisitado para inspeções em países vizinhos.
Ano passado, na homenagem aos controladores, eu falei que eles (os controladores) são nossos anjos da guarda.
E agora, posso dizer sem sombra de dúvida, que o GEIV é o anjo da guarda dos controladores, já que é dele a responsabilidade de manter os equipamentos dentro dos parâmetros operacionais de segurança.
A Screenair dá os PARABÉNS a todos os pilotos-inspetores, operadores de sistemas de bordo, operadores de teodolitos, e a todos os técnicos que direta ou indiretamente estão envolvidos nas operações de inspeção do GRUPO ESPECIAL DE INSPEÇÃO EM VÔO.
O nosso GEIV.
Motivo de orgulho de todos nós brasileiros.
17/04/2007 - Jonas Buttenberg |