"Meu Brasil"

Materiais utilizados e sua construção

Alberto na manhã seguinte ao seu primeiro vôo, retornou à oficina de Lachambre e Machuron. Queria encomendar um balão.

Os 2 construtores logo pensaram num balão como aquele em que Alberto havia voado no dia anterior, e lhe sugeriram um balão de 750 a mil metros cúbicos.. Grande errro.

Alberto já tinha suas próprias idéias. Não concordou com os 2 contrutores, e queria um balão de pequenas proporções, apenas com 100 metros cúbicos, feito de materiais leves e o balão feito de seda japonesa envernizada.

Os dois acharam impossível, pois com 100 m3 não teria sustentação suficiente nem para elevar o próprio cesto. Muito menos a tal seda japonesa, seria muito frágil.

Lachambre e Machuron perceberam neste momento que aquele seria um cliente "difícil".

Ficaram muito preocupados com a segurança de Alberto. E o levaram para dentro da oficina para que ele pudesse contar sua idéia "errada" aos empregado que ali trabalhavam, e que poderiam eles então, explicar à Alberto o absurdo erro que estava cometendo.

Nada adiantou. Alberto manteve pé firme.
Acabou por pegar um pedaço de seda japonesa que era utilizada para fazer pipas, e este material foi então submetido a provas de tensão.

Para espanto de todos, esta seda se mostrou mais resistente que o material convencional utilizado pelos contrutores.


Começaram a discutir sobre a estabilidade de um balão tão pequeno.
Se o aeronauta se movesse dentro do cesto, afetaria todo o centro de gravidade do balão, fazendo com que ele começasse a vibrar. O que seria perigoso.

Alberto, imediamente retrucou "Aumentaremos o comprimento das cordas de suspensão".

Finalmente, Lachambre e Machuron cederam, e aceitaram a fazer o balão de Alberto exatamente como ele pedia.

Alberto não economizava nesta área. Pedia material do bom e do melhor.


Alberto adquire experiência

Para que Alberto pudesse manobrar o seu próprio balão, era necessária que ele aprendesse de alguma maneira. Então, Alberto entrou em comum acordo com os dois aeronautas e o aceitaram como tripulante em treinamento durante as subidas dos seus balões, enquanto o "Brasil" era construído.

Com isso, Alberto conseguiu muita experiência e fez várias subidas inclusive, pelo que consta nas biografias, cerca de 25 ou 30 subidas sozinho.

Tanto que mais tarde, concordaram em deixar Alberto manobrar sozinho seus balões, e somente cobravam dele as despesas e os danos que eventualemente causasse.

Chegou até a substituir Lachambre ou Machuron em exposições e demonstrações.


Nesta altura, Alberto ja pensava em contruir "balões alongados".


O primeiro susto

Estamos em outubro de 1897. E Alberto comprometeu-se a fazer uma demonstração substituindo Lachambre em um dos seus balões (balões de Lachambre).

Era uma feira em Péronne.

Perto da hora da subida do balão, o tempo começou a virar, e ouvia-se o roncar de uma trovoada se aproximando.

A multidão estava presente. Muitos sabiam que Albero era um "amador", e gritavam para que ele não subisse. Outros, ficavam calados.

E agora. O que fazer. Desistir? E o público que veio para ver o balão subir?

Alberto tomou sua decisão. Faria a subida mesmo assim.

Logo se arrependeria desta sua decisão.

Alberto fez a subida do balão. E logo foi "sugado" para dentro do grande CB, pelos ventos ascendentes daquela trovoada. La dentro, viu de perto os enormes relâmpagos, além de ouvir o barulho ensurdecedor dos trovões.

A noite caia, e o vento levava Alberto para o desconhecido.

Alberto escreveu o seguinte tempos depois sobre este episódio: "Sabia que a velocidade devia ser grande, porém não sentia qualquer movimento. Eu ouvia e sentia a tempestade. Percebi que estava em grande perigo. Havia comigo porém, um grande sentimento de satisfação. La em cima, na negra solidão, no meio dos relâmpagos e das trovoadas, eu era parte da trovoada".

Soltando o lastro, Alberto conseguiu subir acima da trovoada.

Abaixo dele, estava o tapete negro da trovoada. Ele estava maravilhado.
Olhava para baixo e via os clarões dos relâmpagos que refletiam nas nuvens.

Acima dele, a calmaria das estrelas.
Parecia que ele estava parado no ar.
Como diz no livro, "Alberto estava sozinho".

Durante aquele noite, sozinho, não tinha o que fazer senão observar a trovoada abaixo dele.

Lentamente, o céu começou a ficar mais claro. As estrelas apagando.
Viu o contorno do sol, que nascia, dando um tom de ouro em tudo.

Logo depois, Alberto estava pousando numa tranquila manhã. Estava na Bélgica.
Esse episódio acabou saindo nos jornais da época.

Este não foi o primeiro "incidente". Houve outros até que o seu balão "Brasil" ficou pronto. Não vou contar outros, para não me alongar neste resumo.

O fato é que, com todos as subidas, e acidentes que Alberto teve, ele acabou se tornando um balonista muito experiente. E toda esta prática ele aplicou em seu balão.



"Brasil" fica pronto

"Parecia uma bolha de sabão".
Acabou tendo 113 m3.

Diziam que Alberto viajava com ele dentro de uma mala, de tão pequeno e leve que era.
Todos estavam acostumados com grandes balões, e aquele minúsculo balão chamou muita atenção.

"Brasil", aliás, o único que teve um nome, todos os outros tanto balões, dirigíveis e aviões Alberto apenas chamava pelo número de construção.

No dia 4 de julho de 1898, o "Brasil" foi levado a Vaugirard para sua primeira ascensão.
Lachambre e Machuron também estavam la.

" SOLTEM TUDO ", gritou Alberto. E o pequeno "Brasil" subiu lentamente, com uma pequena bandeirola verde e amarela amarrada na cordoalha.

Foram várias as subidas que Alberto fez com o "Brasil". A mairoria sobre a cidade de Paris mesmo.


O "Brasil" era muito dócil e fácil de ser manobrado.
Alberto ficou sendo cada vez mais conhecido. Até uma revista parisiense fez uma matéria a seu respeito.

Mais perto do final daquele ano, Alberto resolveu que queria mudar de residência. Depois de muito procurar, acabou alugando uma casa na esquina da Rue Washington com a famosa avenida Champs-Elyseés, bem próxima ao Arco do Triunfo, bem no centro de Paris. Esta casa ainda existe.

Alberto tinha fama de ser "muito rico", uma vez que gastava muito dinheiro na aerostação.
Porém, na verdade, ele não era "rico" para os padrões da época.
Como morava sozinho, não tinha os altos gastos de uma família parisiense.



Anos depois, Alberto escreveu sobre o "Brasil"

" O meu primeiro Balão
O menor
O mais lindo
O único que teve um nome : o Brasil
"



.... sexta parte, nos próximos dias, aqui na screenair, com o primeiro dos digirívels de Santo Dumont - o Numero 1







Para o elaborar este "resumão", estou lendo a seguinte bibliografia,
que recomendo a todos nós, aviadores reais ou virtuais lerem:



Alberto Santos-Dumomt - O Pai da aviação
Ministério da Aeronáutica
Tenente coronel aviador Fernando Hyppolyto da Costa

Santos Dumont - O Retrato de uma Obsessão
Editora Civilização Brasileira
Peter Wykeham - 1966

Dans L'Air
Alberto Santos Dumont - (1904)

Santos Dumont
Editora Três
Francisco Pereira da Silva e Américo Jacobina Lacombe - 2003

Agenda Santos-Dumomt
Ministério da Aeronáutica
Edição 1989/1990